14 março 2009

Wendy



Há exatos 27 anos, no dia hoje, 13 de março, eu senti, pela segunda vez em minha vida, uma explosão interna que fazia surgir de mim um milagre divino – um mistério universal.

Meio metade, meio pedaço, meio alguma coisa que me pertencia e, ao mesmo tempo – algo nada de mim, algo inteiro em si; perfeito. Talvez Deus em Sua grande criação tenha tido essa mesma sensação – esse prazer imenso, desmedido, que se associa a um medo, uma insegurança, orgulho, satisfação – enfim, uma gama de emoções confusas e, ainda assim, merecedoras, e desejáveis, de serem vividas.

Há exatos 27 anos, pari uma menina que cresceria e se tornaria minha amiga, confidente, companheira e, por vezes, até mãe... Minha menina sonhadora, indecisa, charmosa, linda e, apaixonantemente, doce. Juntas, atravessamos tempos difíceis, momentos de dor; passamos por estradas tortuosas, caminhos que pareciam não ter um destino certo – e vencemos – temos vencido os obstáculos que se apresentam a nós como simples desafios ou como máquinas propulsoras de um desenvolvimento espiritual, quiçá uma evolução coletiva dessa nossa humanidade... Mas, também – e em maior proporção, viajamos por estradas floridas, por caminhos mágicos, bosques encantados – nos aventuramos, alegres e corajosas, nessa jornada da Vida – vimos mares, montanhas, desertos, cidades de muitos tipos, e sonhamos... Temos sonhado juntas com dias futuros, soluções de problemas, novos rumos, novas conquistas. Temos, a cada dia, renovado nossos laços, aparado arestas, perfumado nossa relação.

São 27 anos de compromisso, comprometimento, de uma amizade como poucas – real, palpável, especial.

Em 27 anos, poucos foram os momentos em que nos separamos – como se os laços fossem, de fato, físicos – um nó unindo almas e corpos.

Hoje, madura, minha menina mulher se vai de mim, vai num ato simbólico – separa-se, encontra seu rumo. Talvez não seja de todo um desatar do nó, mas é, com certeza, um estender-se das linhas, um avançar além dos limites que os laços impunham. Em 27 anos, pela primeira vez, minha menina estica seus bracinhos – agora fortes e seguros – e, ao invés de apertar suas mãos num agarrar daquelas que a deveriam segurar – acena - de mão abertas, livres – acena um aceno de “já volto” , mas “vou que a vida me espera”.

E vejo minha menina partindo, feliz, nos braços de um amor, um novo sonho, uma nova aventura, um realizar-se da própria Vida. Meu coração se aperta, o nó, agora sofrido, enrosca-se na garganta – e sorrio... Talvez, tenha, afinal, cumprido uma etapa da minha tarefa.

Os laços ficarão para sempre – são eternos, são divinos. A alegria de vê-la mulher realiza grande parte de meus próprios sonhos - e seguimos, num trilhar contínuo, agora estradas paralelas – se nos estendermos os braços uma a outra, nos alcançaremos a qualquer momento, mas seguimos cada uma sobre seus próprios pés, seu próprio caminhar, seu próprio destino...

É mescla de dor e de alegria; talvez seja, afinal, o verdadeiro Amor.

Desde o parto

os filhos partem

e, ao partir,

nos partem.

Partem em partes

o coração que,

partido,

assiste à partida.

Desde o parto

partes de nós

partem

para viver à parte

E partidos permanecemos

a partilhar com eles

a alegria de partir

e encontrar suas partes.

Sabe, filha, este poema eu fiz para você, minha flor, há muitos anos – num momento em que nossos laços nem ainda se abalavam com os ventos... e hoje o sinto especialmente verdadeiro.

Seja feliz, meu grande amor.

Feliz aniversário!

Torno pública essa minha manifestação para que todos saibam do tamanho dos meus sentimentos por você e que saibam, através desse mar de amor, o quanto você é especial.

Love you,

Mammy

Um comentário:

Dea Conti disse...

Linda sobrinha, linda e merecida homenagem.

beijos pras duas