

Há exatos 27 anos, no dia hoje, 13 de março, eu senti, pela segunda vez em minha vida, uma explosão interna que fazia surgir de mim um milagre divino – um mistério universal.
Meio metade, meio pedaço, meio alguma coisa que me pertencia e, ao mesmo tempo – algo nada de mim, algo inteiro em si; perfeito. Talvez Deus em Sua grande criação tenha tido essa mesma sensação – esse prazer imenso, desmedido, que se associa a um medo, uma insegurança, orgulho, satisfação – enfim, uma gama de emoções confusas e, ainda assim, merecedoras, e desejáveis, de serem vividas.
Há exatos 27 anos, pari uma menina que cresceria e se tornaria minha amiga, confidente, companheira e, por vezes, até mãe... Minha menina sonhadora, indecisa, charmosa, linda e, apaixonantemente, doce. Juntas, atravessamos tempos difíceis, momentos de dor; passamos por estradas tortuosas, caminhos que pareciam não ter um destino certo – e vencemos – temos vencido os obstáculos que se apresentam a nós como simples desafios ou como máquinas propulsoras de um desenvolvimento espiritual, quiçá uma evolução coletiva dessa nossa humanidade... Mas, também – e em maior proporção, viajamos por estradas floridas, por caminhos mágicos, bosques encantados – nos aventuramos, alegres e corajosas, nessa jornada da Vida – vimos mares, montanhas, desertos, cidades de muitos tipos, e sonhamos... Temos sonhado juntas com dias futuros, soluções de problemas, novos rumos, novas conquistas. Temos, a cada dia, renovado nossos laços, aparado arestas, perfumado nossa relação.
São 27 anos de compromisso, comprometimento, de uma amizade como poucas – real, palpável, especial.
Em 27 anos, poucos foram os momentos em que nos separamos – como se os laços fossem, de fato, físicos – um nó unindo almas e corpos.
Hoje, madura, minha menina mulher se vai de mim, vai num ato simbólico – separa-se, encontra seu rumo. Talvez não seja de todo um desatar do nó, mas é, com certeza, um estender-se das linhas, um avançar além dos limites que os laços impunham. Em 27 anos, pela primeira vez, minha menina estica seus bracinhos – agora fortes e seguros – e, ao invés de apertar suas mãos num agarrar daquelas que a deveriam segurar – acena - de mão abertas, livres – acena um aceno de “já volto” , mas “vou que a vida me espera”.
E vejo minha menina partindo, feliz, nos braços de um amor, um novo sonho, uma nova aventura, um realizar-se da própria Vida. Meu coração se aperta, o nó, agora sofrido, enrosca-se na garganta – e sorrio... Talvez, tenha, afinal, cumprido uma etapa da minha tarefa.
Os laços ficarão para sempre – são eternos, são divinos. A alegria de vê-la mulher realiza grande parte de meus próprios sonhos - e seguimos, num trilhar contínuo, agora estradas paralelas – se nos estendermos os braços uma a outra, nos alcançaremos a qualquer momento, mas seguimos cada uma sobre seus próprios pés, seu próprio caminhar, seu próprio destino...
É mescla de dor e de alegria; talvez seja, afinal, o verdadeiro Amor.
Desde o parto
os filhos partem
e, ao partir,
nos partem.
Partem em partes
o coração que,
partido,
assiste à partida.
Desde o parto
partes de nós
partem
para viver à parte
E partidos permanecemos
a partilhar com eles
a alegria de partir
e encontrar suas partes.
Sabe, filha, este poema eu fiz para você, minha flor, há muitos anos – num momento em que nossos laços nem ainda se abalavam com os ventos... e hoje o sinto especialmente verdadeiro.
Seja feliz, meu grande amor.
Feliz aniversário!
Torno pública essa minha manifestação para que todos saibam do tamanho dos meus sentimentos por você e que saibam, através desse mar de amor, o quanto você é especial.
Love you,
Mammy
Um comentário:
Linda sobrinha, linda e merecida homenagem.
beijos pras duas
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